quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Mensagem de Paz


A vida é feita de escolhas, mas o mundo é feito de covardias. Tantas guerras, tantos alvoroços, tantas injustiças. Podemos mudar isso, podemos fazer a diferenças, podemos acabar com a covardia desse planeta e fazer reinar a paz sobre ele! Temos a escolha de colaborar com os conflitos, ou nos manifestar contra eles. Temos a escolha de concordar com as guerras, ou discordar e reagir contra elas. Temos a escolha de deixar o mundo se acabar, ou trazer para ele a famosa paz, a paz verdadeira. Todos queremos paz!


Larissa Pina

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Crônica

Tragédia de Afeto


               Dia lindo, céu limpo, sol brilhando... era um belo dia de sábado na preia mais encantadora de todo o país.
               Roberto pôs-se a correr no calçadão, tirou o dia inteiro para total lazer. Estava sentindo extrema felicidade, pois acabara de ganhar uma promoção naquele mesmo dia.
               Decidiu parar e descansar um pouco a areia da praia. Passando a mão naqueles pequenos grãos claros e macios ele observava o mar.
          Próximo de Roberto havia uma família com três crianças. Elas brincavam, pulavam, e até gritavam de curtição. Roberto sorria só de ver a felicidade imensa daqueles seres lindos.
               De repente um cenário trágico atingiu aquele lugar. Um homem desconhecido e com trajes fúteis apontava um calibre 12 para as crianças, ameaçando mata-las caso os pais não o desse o que queria. Em um segundo o bandido atirou no caçula e fugiu correndo.
            Roberto chorava muito, seu desespero era imenso, acabou percebendo o tamanho de seu afeto pela criança apenas por um olhar.
Produzido por: Larissa Martins Pina

Resumo: "Uma Garrafa no Mar de Gaza"

  
           Um homem-bomba se explodiu dentro de um café em Jerusalém. Seis corpos foram encontrados. Uma garota, que se casaria naquele dia, morreu junto com o pai "algumas horas antes de vestir seu lindo vestido branco". E Tal não consegue parar de pensar em tudo isso. Tal é uma israelense que, como toda garota de dezessete anos, vive suas primeiras experiências - o primeiro grande amor, as primeiras escolhas profissionais e também o primeiro atentado. Depois de vivenciar esse momento trágico, ela escreve uma carta a um palestino imaginário, coloca em uma garrafa e pede ao irmão, que presta o serviço militar perto de Gaza, para lançá-la ao mar. Algumas semanas depois, recebe a resposta de um certo "Gazaman"... eles trocam e-mail por muito tempo. Tal conta sobre sua vida, suas experiências, e tudo que acontece por Tel Aviv, mas Gazaman só responde com ironias, até se apaixonar por ela.

Campanha do Bullying

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terça-feira, 22 de outubro de 2013

Literatura em Vídeo : Feliz Aniversário



"Feliz Aniversário" , obra de Clarisse Lispector, trata de uma senhora de idade que está completando 89 anos , e sua filha Zilda faz para ela uma festa de  comemoraçao. Dona Anita, como se chama, sente-se infeliz durante a festa, pois seus filhos e noras são todos ingratos e falsos.
Leiam a obra integramente, e vejam o quanto assoscia-se a realidade.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Poesias da Biblioteca

Autor: Henriqueta Lisboa

Título: Pérola

Poesia:  Delicadeza de caule
             oculta na sombra a flor.

             Um anjo que ninguém vê
             caminha nos corredores
             pé ante pé
             como sobre tapetes
             para não despertar
         
             Malícia fina
             dissolve entre os dentes
             a palavra que palpitou
             na língua
             mas que ao silêncio volta
             para não melindrar.
         

             Paciência que não engana
             aquecendo sem brilho
             à espera
             retarda uma vez mais
             a carícia
             para não assustar
             pérola entre pérolas
             no fundo do mar.


Autor: Cecília Meireles

Título: A Bailarina

Poesia:  Esta menina
             tão pequenina
             quer ser bailarina.

             Não conhece nem dó nem ré
             mas sabe ficar na ponta do pé.

             Não conhece nem mí nem fá
             mas inclina o corpo para cá e para lá.

             Não conhece nem lá nem só
             mas fecha os olhos e sorri.

             Roda, roda, roda com os bracinhos no ar
             e não fica tonta nem sai do lugar.

             Põe no cabelo uma estrela e um véu
             e diz que caiu do céu.

             Esta menina
             tão pequenina
             quer ser bailarina.

             Mas depois esquece todos as danças,
             e também quer dormir como as outras crianças.


Autor: Henriqueta Lisboa

Título: A menina tonta

Poesia:  Eu quero o arco-íris eu quero
             diz a menina com fé.

             (Seus olhos são duas lágrima
             boiando em folha de malva.)

             -O arco-íris ninguém consegue
             tocar com a ponta dos dedos.

             -É razão de meu suspiro
             tê-lo puro intacto virgem.

             -Terás um vestido novo
             listrado de sete cores
             cada cor de uma alegria.

             -O vestido não tem asas
             para passeios alados.
             Quero das fitas do arco-íris
             fazer os meus próprios trilhos
             a sair andando ao léu
             pelas varandas do céu
             para conhecer países
             que o mapa não existem
             habitar outros planetas
             mais habitáveis que este.

             -Menina não sejas tonta
             o arco-íris é apenas sonho
             matérias de sonho é zero.

             -Eu sonho por não poder
             ter aquilo que mais quero
             quero aquilo que não tenho
             ainda que não valha nada
             por não poder alcançá-la.
             Se o pudesse não quisera
             nem sonhara.

             (Os olhos brilham que brilham
             aos revérberos do arco-íris.)

Biografia dos Autores

Henriqueta Lisboa - "Pérola" e "A menina tonta"



        Henriqueta Lisboa nasceu em Lambari, MG, em 15 de julho de 1901 e morreu em Belo Horizonte em 9 de outubro de 1985, filha de João de Almeida Lisboa, deputado federal, e de Maria Rita Vilhena Lisboa. Foi poeta, tradutora, ensaísta e, ainda, docente de literaturas hispano-americana e brasileira e de literatura geral. Fez o curso normal no Colégio Sion em Campanha, MG.
        Mudou-se com a família para o Rio de Janeiro em 1924. Seu primeiro livro de poemas, publicado em 1925, intitulava-se Fogo fátuo, de tendência simbolista, traço marcante de sua obra até a década de 1940. Recebeu durante sua vida vários prêmios: em 1931, foi agraciada com o Prêmio de Poesia Olavo Bilac da Academia Brasileira de Letras pelo livro Enternecimento; em 1952, a Câmara Brasileira do Livro premiou seu livro infantil Madrinha lua; pelo conjunto de sua obra obteve três prêmios, a Medalha da Inconfidência de Minas Gerais em 1955, o Prêmio Brasília de Literatura em 1971 e o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras em 1984.
         Sua extensa produção intelectual é composta por ensaios literários, traduções, organização de antologias de poesias. Colaborou com várias revistas editadas no Rio de Janeiro e Minas Gerais, entre as quais O Malho, Revista da Semana, A Manhã, O Jornal, com a revista Kosmos e com a revista Festa ao lado de Gilka Machado e Cecília Meireles. Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. Entre 1940 e 1945 manteve com o escritor Mário de Andrade, uma vasta correspondência, onde discutiam temas pessoais e literários.
         Foi a primeira mulher eleita para a Academia Mineira de Letras em 1963, onde ocupou a cadeira de nº 26. Sua poesia tornou-se conhecida no exterior, sendo traduzida em várias línguas, como o francês, inglês, italiano, espanhol, alemão e latim. Henriqueta Lisboa traduziu obras de Dante, Guillén, Gabriela Mistral, entre outros. Em Senhorita X, encontramos o poema Quando tenhas de vir, de sua autoria.



Cecília Meireles - "A Bailarina"

 


           Cecília Meireles foi poetisa, professora, jornalista e pintora brasileira. Foi a primeira voz feminina, de grande expressão na literatura brasileira, com mais de 50 obras publicadas. Com 18 anos estreia na literatura com o livro "Espectros". Participou do grupo literário da Revista Festa, grupo católico, conservador e anti modernista. Dessa vinculação herdou a tendência espiritualista que percorre seus trabalhos com frequência.

            A maioria de suas obras expressa estados de ânimo, predominando os sentimentos de perda amorosa e solidão. Uma das marcas do lirismo de Cecília Meireles é a musicalidade de seus versos. Alguns poemas como "Canteiros" e "Motivo" foram musicados pelo cantor Fagner. Em 1939 publicou "Viagem" livro que lhe deu o prêmio de poesia da Academia Brasileira de Letras.
          Cecília Meireles nasceu no Rio de Janeiro em 7 de novembro de 1901. Órfã de pai e mãe, aos três anos de idade passa a ser criada pela avó materna, Jacinta Garcia Benevides. Fez o curso primário na Escola Estácio de Sá, onde recebeu das mãos de Olavo Bilac a medalha do ouro por ter feito o curso com louvor e distinção. Formou-se professora pelo Instituto de Educação em 1917. Passa a exercer o magistério em escolas oficiais do Rio de Janeiro. Estreia na Literatura com o livro "Espectros" em 1919, com 17 sonetos de temas históricos.
           Em 1922 casa-se com o artista plástico português Fernando Correia Dias, com quem teve três filhas. Viúva, casa-se pela segunda vez com o engenheiro Heitor Vinícius da Silva Grilo, falecido em 1972. Estudou literatura, música, folclore e teoria educacional. Colaborou na imprensa carioca escrevendo sobre folclore. Atuou como jornalista em 1930 e 1931, publicou vários artigos sobre os problemas na educação. Fundou em 1934 a primeira biblioteca infantil no Rio de Janeiro.
           Cecília Meireles lecionou Literatura e Cultura Brasileira na Universidade do Texas, em 1940. Profere em Lisboa e Coimbra, conferência sobre Literatura Brasileira. Publica em Lisboa o ensaio "Batuque, Samba e Macumba", com ilustrações de sua autoria. Em 1942 torna-se sócia honorária do Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro. Realiza várias viagens aos Estados Unidos, Europa, Ásia e África, fazendo conferências sobre Literatura Educação e Folclore.
           Cecília Benevides de Carvalho Meireles morre no Rio de Janeiro no dia 9 de novembro de 1964. Seu corpo é velado no Ministério da Educação e Cultura. Cecília Meireles é homenageada pelo Banco Central, em 1989, com sua efígie na cédula de cem cruzados novos.


Valérie Zenatti - "Uma garrafa no mar de Gaza"

 



         Valérie Zenatti nasceu em Nice, em 1970 e , com a idade de treze anos, se mudou com sua família para Israel , onde se estabeleceram em Beersheba , no deserto de Negev. Quando tinha dezoito anos , ela fez o serviço militar, que é exigido de jovens homens e mulheres da mesma forma e logo depois retornou à França. Ela trabalhou lá como au pair , vendedora , jornalista e professor de hebraico. Hoje, ela é um autora, roteirista e tradutora e está profundamente envolvida com o trabalho de Aharon Appelfeld .
     Seus livros para crianças e adultos jovens, em grande parte inspirados por suas experiências pessoais, se preocupam tanto com as experiências das crianças e as culturas juvenis e as vidas cotidianas de jovens em meio aos conflitos culturais , políticas e religiosas entre Gaza e Jerusalém. Um exemplo disso é " Quando eu era um soldado " , de 2005 , que descreve seu próprio tempo no serviço militar, dando conta da vida como um soldado do sexo feminino, representando a lenta transição da infância para a idade adulta. Ele descreve o caminho do personagem principal, Valérie , a partir de seus exames , através de seu ingresso no exército, às rotinas e exercícios militares e falta de sono e privacidade. A jovem imigrante , cheio de curiosidade, está entusiasmada com seu trabalho em contra-espionagem e , pela primeira vez , sente-se um sentimento de pertença . No entanto, ainda há momentos em que as imagens do inimigo e as razões de seu próprio comportamento tornar-se turva . O autor descreveu sua abordagem para escrever o livro em uma entrevista com o " É mim , mas não sou eu" . " É a minha história, mas eu escrevi -o como um romance. Não é um livro de memórias exatas. "
         Embora haja uma notável ausência de discussão política neste romance para jovens adultos , seu segundo livro , "A Garrafa no Mar de Gaza " , 2008, reflete sobre a política de Valérie Zenatti confronto em seus primeiros anos em Israel. As vidas anos Tal dezessete na parte judaica de Jerusalém . Depois de um atentado suicida em um lugar público no bairro, ela decide dar uma cara para o chamado inimigo na Faixa de Gaza. Através de mensagens em garrafas e coincidências , ela começa a conhecer a 20 anos de idade , Naïm . Os dois se comunicam por e -mail. Esta é uma descrição narrativa do primeiro passo para aproximar-se e superar os estereótipos arraigados de posições culturais e políticas.


Luis Dill - "Todos Contra Dante"


                Luís Dill nasceu em Porto Alegre no dia 04 de abril de 1965. Formou-se em Jornalismo pela PUC / RS. Como jornalista já atuou em assessoria de imprensa, em jornal, em rádio, em televisão e em Internet. Atualmente é Produtor Executivo da Rádio FM Cultura na capital gaúcha onde reside. Como escritor estreou em 1990 com a novela policial juvenil A Caverna dos Diamantes. Atualmente tem 37 livros publicados, além de participações em diversas coletâneas. Também é colaborador de jornais e de revistas. Já foi finalista de diversos prêmios literários tendo recebido o Açorianos na categoria Conto pelo livro Tocata e Fuga (Bertrand Brasil) e na categoria Juvenil com o livro De carona, com nitro (Artes e Ofícios) e Decifrando Ângelo (Scipiome). Recebeu o prêmio Livro do Ano da Associação Gaúcha dos Escritores na categoria Poesia com o livro Estações da poesia(Positivo). Também foi laureado com o terceiro lugar do prêmio Biblioteca Nacional na categoria Juvenil com o livro O estalo (Positivo).  Na sua atividade de escritor, participa de feiras do livro em todo o Rio Grande do Sul e de variados tipos de encontros com leitores em escolas e universidades. 

domingo, 6 de outubro de 2013

Portugues - Crônistas do Brasil

Autor: Carlos Drummond de Andrade

Biografia: Nasceu em Minas Gerais, Itabira. Formado em farmácia, com Emílio Moura e outros companheiros, fundou "A Revista", para divulgar o modernismo no Brasil. Em 1925, casou-se com Dolores Dutra de Morais, com quem teve dois filhos. É dedicado o poema "O que viveu meia hora" ao seu filho Carlos Flávio, que viveu apenas meia hora. Faleceu em 1987 no Rio de Janeiro, doze dias após sua filha.

Crônica: Margarida

A garota em êxtase brandiu o postal que recebera do namorado em excursão na Grécia :
- Coisa mais linda! Olha só o que ele escreveu: "Eu queria desfolhar teu coração como se ele fosse a mais margarida de todas as margaridas. "Marquinhos é genial, o senhor não acha?
- Pode ser que seja, não conheço Marquinhos. Se bem que antes da era Pierre Cardin, genial era Dante, Da Vinci, Einstein, outros assim. Mas essa frase não é de Marquinhos.
- Não é de Marquinhos?! Tá com a letra dele, assinada por ele.
- Estou vendo que assinou, mas é de Darío.
- Quem? O Darío, do Atlético Mineiro? Sem essa.
- Não minha florzinha, Darío, Rubén Darío, o poeta da Nicarágua.
- Não conheço. Então Rubén Darío falou para Marquinhos e Marquinhos achou bacana e pediu emprestado a ele?
- Tenho a impressão que o Marquinhos não pediu nada emprestado a Rubén Darío. Tomou sem consultar.
- Como é que o senhor sabe?
- É muito difícil consultar o Darío.
- Por quê? Ele não dá bola para gente? Não gosta da mocidade? É careta?
- Não é nada disso. O Darío não é encontrado em parte alguma.
- Ah, ele gosta de bancar o invisível, né?
- Não creio que goste, mas é exatamente o caso dele: invisível.
- Não dá para entender.
- Vai entender logo. Ele morreu em 1916.
- Ah! E como é que o Marquinhos descobriu essa margarida, me conte!
- Simples. Leu num livro de poemas de Rubén Darío.
- Marquinhos não é ligado a leitura. Duvido.
- Se não leu no livro, leu em alguma revista, em alguma parte.
- Hã...
Ficou tão triste- os olhos, a boca, a testa franzida- que achei de meu dever confortá-la:
- Que importância tem isso? A frase é de Darío, é de Marquinhos, é de toda pessoa sensível, capaz de assimilar o coração à margarida... Desculpe: à margarida.
Muxoxo:
- Se é de todos, não é de ninguém, não vale nada.
- Pelo contrário. Fica valendo mais, torna-se sentimento universal.
- Ah, o senhor está por fora. Eu queria a margarida só para mim. Copiada não tem graça. A graça era imaginar Marquinhos, muito sério, desfolhando meu coração transformado em margarida, para saber se eu gosto dele, um pouquinho, bastante, muito loucamente, nada. E a margarida sempre com uma pétala escondida por baixo da outra, entende? Para ele não ter certeza, porque essa certeza eu não dava... Era gozado.
- Continue imaginando.
- Agora não dá pé. Marquinhos roubou a margarida, quis dar uma de poeta. Não colou.
- Espere um pouco. Eu disse que a margarida era de Rubén Darío? Esta cabeça! Esquece, minha filha. Agora me lembro que Rubén Darío nem podia ouvir falar em margarita, começava a espirrar, a tossir, ficava sufocado, uma coisa horrível. Alergia- que no tempo dele ainda não estava batizada. Pois é. Garanto a você, posso jurar que a margarida não é de Darío.
- De quem é então?
- De Marquinhos, ué.
- Tem certeza que nunca ninguém antes de Marquinhos escreveu ä mais margarida de todas as margaridas"? o senhor lê milhões, pode me responder. Tem certeza?
- Absoluta. Marquinhos é genial, reconheço. Mas, por via das dúvidas, continue escondendo uma pétala de reserva, sim?
- Pode deixar por minha conta. Puxa, quase que eu parava de transar com o Marquinhos por causa do senhor. Agora tá legal, tchau, vovô!
Vovô: foi assim que ela me agradeceu a mentira generosa, a bandida.


Autora: Martha Medeiros

Biografia: Nasceu no dia 20 de agosto de 1961, é colunista do jornal "Zero Hora" de Porto Alegre, e de "O Globo", do Rio de Janeiro. Casou-se com o publicitário Luiz Telmo de Oliveira Ramos e tem duas filhas. Estudou no colégio Nossa Senhora do Bom Conselho, e formou-se em 1983 na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre.

Crônica: A dor que dó mais

          Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
           Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Doem essas saudades todas. 
           Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
           Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.
         Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
          Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.



Autora: Mônica Martelli

Biografia: Mônica saiu de Macaé aos doze anos e foi para o Rio de Janeiro, onde começou a estudar direito. Fez um período e mudou-se para o Estados Unidos. Morou em San Francisco, Los Angeles e Nova York. De volta ao Brasil, cursou jornalismo e teatro. Tem crônicas publicadas na revistas "Criativa" e "Época". Foi casada com o produtor Jerry Marques com quem tem uma filha.

Crônica: Alta, mas insegura

              A Maitê saiu de férias por duas semanas e eu fui convidada para escrever a coluna durante sua ausência. Eu respondi: 'Mas eu nunca escrevi!' Imediatamente eu pensei: 'Meu Deus, eu não acredito que eu acabei de falar isso! Como assim, eu nunca escrevi?!' Pura insegurança. Eu acabei de escrever uma peça de teatro que está fazendo muito sucesso, por isso eu fui chamada para escrever esta coluna. Não é possível que eu ainda continue com as mesmas inseguranças. Achei que, depois dessa peça, eu seria uma mulher segura para sempre. Afinal, eu tenho a obrigação de ser segura! A insegurança sempre nos leva a tomar atitudes que contrariam nossos desejos! Mas como eu já sei disso, e sei também que a palavra de ordem de quem é inseguro é FAZER, eu respondi: 'Eu nunca escrevi.... Mas eu FAÇO a coluna!'
              E eu fico me perguntando desde quando sou insegura. Até os 18 anos eu nunca me dei bem com namorados. Nasci em Macaé, interior do Rio de Janeiro, e desde meus 15 anos sou uma mulher alta. Tenho 1,80 metro de altura. Ter 1,80 metro em Macaé é diferente de ter 1,80 metro em Paris. Em Paris, eu acredito que uma pessoa alta no mínimo anda empinada, com orgulho da altura que tem. Em Macaé eu me encurvava para tentar ter 1,77 metro. Ninguém era alta como eu! Passei minha vida inteira olhando para baixo. E mulher alta, se anda de cabeça reta, olhando para a frente, é metida. Mulher alta tem de andar de cabeça baixa, com o olhar de baixo para cima, para passar simpatia. A Lady Di olhava assim. Eu reparava.
              Por exemplo, quando você entra numa festa, todo mundo te olha e te admira. Mas essa sensação de poderosa só dura meia hora, porque os homens nunca chegam, só olham. No meio da noite você vê as baixinhas todas se dando bem, se agarrando pelos cantos, dançando coladinho, beijando na boca. E as grandonas sozinhas, enfeitando a festa. Porque mulher alta não pode ficar encalhada, não! Todo mundo repara.
             Fora que as pessoas te tratam mal. Porque acham que, por você ser alta, sua auto-estima deve ser muito alta também. É tipo assim: 'Veio alta nesta vida, então vai ouvir!'. Aí te xingam e são agressivos, com a maior naturalidade.
             Há uns anos eu estava ensaiando uma peça e o iluminador, que estava marcando a luz, virou para mim e disse:
            -Querida, chega um pouco para trás que eu não consigo te marcar! Tu é um poste! Enorme! Tá tapando tudo! Tapa até o cenário!!
            Agora, para a gordinha que estava do meu lado, ele não falou:
            -Querida, chega um pouco para o lado! Tu é uma balofa, enorme de gorda! Tapa tudo! -Não! Para ela, ele falou com toda a delicadeza: -Querida, chega um pouquinho para o lado, fofinha!
             Quando eu estudava teatro, na minha turma só tinha um ator que podia ser meu par. Era o único que tinha o meu tamanho. Ele não teve escolha, teve de me aturar, querendo ou não, sendo meu par por três anos. Quando o professor passava algum exercício de casal, eu já ficava insegura: 'Ai, meu Deus, se ele pegar outra mulher eu vou sobrar!'. Eu já olhava para ele com um olhar do tipo: 'Você é meu!'.
              Eu acho que os pais, quando percebem que os filhos vão ser grandes, têm de incentivar o vôlei ou o basquete. E, se o filho também for lindo, tem de ser modelo. Porque a criatura vai ouvir mesmo a vida toda: 'Você é jogadora de basquete?' 'É modelo?' 'Nossa, como você é alta!'.
Agora, há momentos em que é muito bom ser alta. Num show não precisa ficar pedindo para o namorado te colocar no ombro, desesperada, porque não consegue ver nada. Você pode dançar, charmosa, porque enxerga tudo.
            Num camarote de Carnaval, é muito bom. Todo mundo está vestido igual, a mesma camiseta. Você não precisa cortar a camiseta, fazer franja, botar paetês, torcer, botar um shortinho com salto para chamar a atenção. A altura já é um adereço.
            Eu ouvi que a insegurança é a nossa salvação, que ela é responsável pela nossa humildade. Realmente! Imagina se todos fossem muito seguros e confiantes todo o tempo, que coisa insuportável! Que mundo arrogante!
            Bom, eu sei que na velhice a pessoa encolhe 3 centímetros. Isso quer dizer que eu vou ter o meu sonhado 1,77 metro. O problema é perder na altura e ganhar na largura!! Mas eu não quero pensar nisso agora. Eu só quero lembrar que a insegurança é necessária, e tem seu charme. Que maravilha saber que a insegurança não é tão ruim assim!

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Pesquisa de História


Estado-nação


       Chama-se Estado-nação  quando um território delimitado é composto por um governo e uma população de composição étnico-cultural, quase homogênea,  sendo esse governo produto dessa mesma composição. Isto ocorre quando as delimitações étnicas e políticas coincidem. Nestes casos, normalmente, há pouca emigração e imigração, poucos membros de minorias étnicas, e poucos membros da etnia dominante a viver além fronteiras.
         Portugal é um exemplo de um Estado-nação. Apesar de rodeado por outras terras e povos, a nação Portuguesa ocupa o mesmo território há quase 900 anos. Desde a sua fundação, em 1143, Portugal manteve-se como um mesmo povo, a viver numa mesma terra. Etnicamente, os Portugueses estão relacionados com os Celtas, os Romanos, e povos Germânicos como os Suevos e os Visigodos. Foi ainda dominado pelos Mouros cerca de 500 anos.
          A Islândia é outro exemplo de Estado-nação. Embora os seus habitantes estejam etnicamente ligados a outros grupos Escandinavos, essa cultura e linguagem são apenas encontrados na Islândia. Não há minorias transfronteiriças - o país é uma ilha.
      O Japão também é visto como um bom exemplo de um Estado-nação, embora inclua minorias Ryukyuan no sul, Coreanos, Chineses e Filipinos, e nas ilhas norte de Hokkaido, a minoria indígena Aino.
           Tanto a Islândia como o Japão, são ilhas. Portugal, curiosamente, possui fronteiras terrestres.

Definição de Território


          Na análise do território, os aspectos geológicos, geomorfológicos, hidrográficos e recursos naturais, por exemplo, ficam em segundo plano, visto que sua abordagem privilegia as relações de poder estabelecidas no espaço.

        A concepção mais comum de território (na ciência geográfica) é a de uma divisão administrativa. Através de relações de poder, são criadas fronteiras entre países, regiões, estados, municípios, bairros e até mesmo áreas de influência de um determinado grupo. Para Friedrich Ratzel, o território representa uma porção do espaço terrestre identificada pela posse, sendo uma área de domínio de uma comunidade ou Estado.
           Nesse sentido, o conceito de território abrange mais que o Estado-Nação. Qualquer espaço definido e delimitado por e a partir de relações de poder se caracteriza como território. Uma abordagem geopolítica, por exemplo, permite afirmar que um consulado ou uma embaixada em diferentes países, seja considerado como parte de um território de outra nação.
        Portanto, o território não se restringe somente às fronteiras entre diferentes países, sendo caracterizado pela ideia de posse, domínio e poder, correspondendo ao espaço geográfico socializado, apropriado para os seus habitantes, independentemente da extensão territorial.

Identidade Nacional


          Identidade nacional é o conceito que sintetiza um conjunto de sentimentos, os quais fazem um indivíduo sentir-se parte integrante de uma sociedade ou nação. Esse conceito começa a ser definido somente a partir do século XVIII, e se consolida no século XIX, não havendo, antes disso, a concepção de nação propriamente dita. Ela é construída por meio de uma autodescrição da cultura patrimonial de uma sociedade, que se pode apresentar a partir de uma consciência de unidade identitária ou como forma de alteridade, buscando demonstrar a diferença com relação a outras culturas. A síntese da cultura consiste na definição de fatores de integração nacional, baseados na língua, monumentos históricos, folclore, modelos de virtudes nacionais, paisagem típica, série de heróis, hino e bandeira. Segundo José Luiz Fiorin, há dois princípios que regem as culturas, princípios esses, que se definem pela exclusão e pela participação. A exclusão se manifesta por meio da triagem e segregação dos indivíduos, já a participação promove a heterogeneidade e a expansão cultural.
             O convívio social promove a assimilação da identidade do grupo, além de sua veiculação pela mídia, tradições e mitologia. Identidades são criações, por isso são frágeis, suscetíveis a distorções, simplificações e interpretações variando entre os indivíduos.

Estado Laico


           Estado laico significa um país ou nação com uma posição neutra no campo religioso. Também conhecido como Estado secular, o Estado laico tem como princípio a imparcialidade em assuntos religiosos, não apoiando ou discriminando nenhuma religião. Um Estado laico defende a liberdade religiosa a todos os seus cidadãos e não permite a interferência de correntes religiosas em matérias sociopolíticas e culturais.
          O Brasil é oficialmente um Estado laico, pois a Constituição Brasileira e outras legislações preveem a liberdade de crença religiosa aos cidadãos, além de proteção e respeito às manifestações religiosas. No artigo 5º da Constituição Brasileira (1988) está escrito:
“VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;”

         Contudo, a laicidade do Estado pressupõe a não intervenção da Igreja no Estado, e um aspecto que contraria essa postura é o ensino religioso nas escolas públicas brasileiras. Nos países que não são laicos (teocráticos), a religião exerce o seu controle político na definição das ações governativas. Nos países teocráticos, o sistema de governo está sujeito a uma religião oficial. Alguns exemplos de nações teocráticas são: Vaticano (Igreja Católica), Irã (República Islâmica) e Israel (Estado Judeu).

A Guerra de 1948: primeira grande batalha


              Em 29 de novembro de 1947, um dia após a votação da Partilha da Palestina pelas Nações Unidas, o colono judeu Ehud Avriel foi convocado a comparecer diante da Agência Judaica, organização que representava os judeus da Palestina, antes da criação de Israel. Ele foi recebido por Davi Ben Gurion, o líder supremo dos sionistas. Nascido na Polônia, ele fugira do anti-semitismo e dos pogroms (perseguição em massa) europeus em 1909, migrando para a Terra Santa. Lá, com seu carisma e liderança, tornou-se a encarnação viva da causa sionista. “Daqui a seis meses, declararemos a independência de Israel. Nesse mesmo dia, cinco exércitos árabes nos atacarão”, previu Ben Gurion, com incrível exatidão. “Se não conseguirmos obter armas com a máxima urgência, seremos aniquilados.” Em seguida, o chefe da Agência Judaica encarregou o correligionário de uma missão crucial: viajar à Europa para contrabandear armamentos. Avriel assentiu. No dia seguinte, pegou um avião para Genebra com uma lista quilométrica para comerciantes do mercado negro: 1 milhão de balas, mil metralhadoras e 1,5 mil submetralhadoras.
             Ben Gurion, cujos talentos de estrategista tornariam-se mitológicos, sabia que os árabes não aceitariam a Partilha. Também sabia que as táticas de guerrilha da milícia clandestina sionista (o Hagannah) não seriam suficientes para deter os inimigos. Entre 1947 e 1948, Ben Gurion contrabandeou toneladas de armas, principalmente da Tchecoslováquia, e incorporou ao Hagannah dois grupos militantes radicais – o Irgun e a Gangue Stern. Nascia assim a FDI – Forças de Defesas Israelenses, que na época contava com pouco mais de 20 mil soldados.

RIFLES ENFERRUJADOS

             Ao contrário dos sionistas, os palestinos tinham uma organização mínima. Sua espinha dorsal fora quebrada em 1936, quando uma grande rebelião contra o domínio britânico e a imigração judaica foi esmagada pelas forças conjuntas dos britânicos e das milícias sionistas – com um saldo de 5 mil árabes e 400 judeus mortos. Sem nenhuma liderança forte, empunhando rifles enferrujados e com apenas 2,5 mil soldados de verdade, eles eram a menor das preocupações para os generais israelenses. O verdadeiro desafio vinha dos países árabes vizinhos, cujos exércitos somavam mais de 25 mil homens com armas modernas, vendidas principalmente pela Grã-Bretanha.
             Foi Ben Gurion quem leu a Declaração de Independência de Israel, em Tel-Aviv, na ensolarada tarde de 14 de maio de 1948, diante de uma multidão em êxtase. Foi também ele quem comandou a guerra contra o rei Abdullah da Jordânia e seus aliados árabes, que na manhã seguinte bombardearam Tel-Aviv e atravessaram as recém-traçadas fronteiras do país.
             O conflito que se seguiu foi um triste prenúncio do que estava por vir nas próximas décadas. Ambos os lados atacaram a população civil, com pesadas baixas. De acordo com o historiador Mitchell Bard, mais de 6 mil judeus foram mortos nos meses seguintes, entre soldados e não-combatentes – 1% da população total.
             Israel não ficou atrás no que diz respeito a crimes de guerra. Segundo historiadores como o brasileiro André Gattaz e o israelense Avi Shaim, grupos armados caíram com fúria sobre a população árabe palestina, num banho de sangue que varreu do mapa centenas de vilarejos. A chacina mais famosa ocorreu em Deir Yassin, a poucos quilômetros de Jerusalém – um evento que se tornou emblemático para a resistência palestina (leia no quadro abaixo). A maior parte da população árabe em grandes cidades, como Haifa e Jaffa – que hoje é um subúrbio de Tel-Aviv – fugiu ou foi expulsa. “Por prudência, por pânico e por causa da política deliberada do Exército israelense, quase dois terços dos palestinos deixaram suas casas e tornaram-se refugiados”, escreve o historiador britânico de origem libanesa Albert Hourani, no clássico Uma História dos Povos Árabes (Companhia das Letras, 2006). De 500 mil a 900 mil árabes, entre cristãos e muçulmanos, foram para o exílio, de acordo com estudos das Nações Unidas. Milhares de judeus também foram violentamente expulsos de países árabes.
            Apesar da superioridade numérica, os exércitos anti-sionistas tinham uma desvantagem que até hoje assola o mundo árabe: a desunião interna. Intrigas, desavenças e crises de ciúmes entre os chefes mergulharam a campanha na anarquia. Já os sionistas mantiveram-se unidos sob a mão férrea de Ben Gurion – que se tornou primeiro-ministro de Israel em 1948 – e destroçaram os cincos exércitos inimigos em cerca de oito meses. O conflito, que hoje é lembrado pelos israelenses como a Guerra da Independência, acabou em julho de 1949, com uma série de armistícios humilhantes assinados por quase todos os países árabes envolvidos. Os combatentes guardaram suas facas e metralhadoras, mas não trancaram a porta da caserna: o segundo round poderia começar a qualquer instante.

EXPANSÃO ISRAELENSE

             A Palestina, agora, tinha uma cara completamente transformada. A Partilha, acertada pela ONU, dois anos antes, foi para o espaço: entre 1947 e 1949, Israel não se limitou a defender suas fronteiras, avançando sobre território alheio. Se antes os israelenses controlavam 55% da região, a fatia crescera agora para mais de 75% .
             Fora de Israel, sobraram apenas dois pedacinhos de terra palestina – que até hoje compõem um mantra eternamente repetido nas manchetes de jornais, nos tratados de paz, nas resoluções da ONU, nos brados dos radicais e nas preces dos moderados: a Faixa de Gaza, que fica no litoral do Mediterrâneo, a sudoeste de Israel, e a Cisjordânia, na fronteira oriental. O destino e o status desses territórios, que juntos não chegam a formar 10 mil quilômetros quadrados, continuam no olho do furacão do Oriente Médio. Na época, as duas fatias de terra foram anexadas por vizinhos árabes que, teoricamente, tinham entrado na guerra para garantir os direitos dos palestinos. O Egito ficou com a Faixa de Gaza. O rei jordaniano Abdullah abocanhou a Cisjordânia e a parte oriental de Jerusalém – onde se encontram dois dos maiores santuários do Islã, a Mesquita de Al-Aqsa e o Domo da Rocha. A ONU abençoou as novas fronteiras e o mundo respirou aliviado. Menos os palestinos – que ficaram com nada.

Guerra de Suez

             As forças armadas de Israel invadem o território egípcio em direção ao Canal de Suez em 29 de outubro de 1956, desencadeando o que a história registra como a Guerra do Suez. Pouco demorou para terem a seu lado tropas da França e da Grã Bretanha, criando uma ambiente típico da Guerra Fria no Oriente Médio. 
             O catalizador para o ataque conjunto israelo-franco-britânico foi a nacionalização do Canal de Suez pelo general Gamal Abdel Nasser em julho de 1956. Essa situação vinha sendo gestada por algum tempo. Dois anos antes, os militares egípcios vinham pressionando os britânicos para encerrar sua presença militar – concedida em 1936 pelo Tratado Anglo-egípcio – na zona do canal. Por outro lado, as forças armadas de Nasser vinham mantendo batalhas esporádicas com soldados israelenses ao longo da fronteira entre as duas nações e ambos os governos pouco faziam para evitar esses entreveros o que só fazia aumentar a tensão na área. 
          Apoiado pelas armas e recursos que a União Soviética lhe mandava e irritado com os Estados Unidos por renegarem promessa anterior de fornecer fundos para a construção da grande represa de Assua no rio Nilo, Nasser ordenou a ocupação e a nacionalização do canal. Os britânicos mostraram-se furiosos com a medida e buscaram o apoio da França, que por sua vez acreditava que Nasser dava apoio aos rebeldes na colônia francesa da Argélia. 

ISRAEL ATACA

            Por sua parte, Israel não precisava mais que uma provocação para atacar o inimigo em sua fronteira. Os israelenses atacaram primeiro, mas manifestaram surpresa e choque ao perceber que as tropas franco-britânicas não os seguiram imediatamente. Em vez de uma investida fulminante de uma força bastante superior o que se viu foi que o ataque se empantanou. As Nações Unidas imediatamente entraram em ação exigindo um cessar-fogo. 

            A União Soviética começou a emitir sinais de que estava disposta a ir em socorro do Egito, seu aliado. Uma situação perigosa começou imediatamente a se desenrolar o que levou o governo Eisenhower, diante da possibilidade de uma confrontação direta com Moscou, a tentar desativar o problema. Embora os EUA tivessem alertado a União Soviética a se manter afastada do conflito, Eisenhower não deixou também de pressionar os governos da Grã Bretanha, França e Israel a retirar suas tropas. 
            As tropas foram finalmente retiradas entre o final de 1956 e começo de 1957. O Canal de Suez permaneceu nacionalizado sob controle do governo egípcio e dentro de regras internacionais de passagem.


Guerra dos Seis Dias


          Logo após a formação do Estado de Israel, os palestinos passaram a sofrer com as tensões e disputas recorrentes a esse complicado processo de ocupação territorial. Mediante o aval das grandes potências econômicas e bélicas do mundo, os israelenses obtiveram o privilégio de controlar parte do território palestino. Dessa maneira, desde 1949, a região da Palestina se transformou em um cenário onde as hostilidades e conflitos entre judeus e árabes se tornaram bastante comuns. 

              Impossibilitados de fazer frente ao amplo apoio internacional angariado pelo novo Estado judeu, os palestinos criaram um movimento que reivindicava a criação de um Estado Palestino. O Al Fatah, teve entre seus principais articuladores a classe média palestina que foi obrigada a se retirar da região por conta do clima de intensa disputa e guerra. O termo fatah, que em árabe significa “guerra santa” ou “luta armada” também faz referência às iniciais do Movimento para a Libertação da Palestina. 

            Liderado por Yasser Arafat (1929 – 2004), o Al Fatah ampliou seu número de filiados e se mostrou uma ameaça contra as pretensões expansionistas dos israelenses. Utilizando de táticas terroristas, os palestinos questionavam a hegemonia judaica na região. Essa situação conflituosa piorou quando, em 1966, a Síria resolveu apoiar os palestinos. Buscando reprimir a mobilização dos povos árabes, as forças aéreas de Israel realizaram um ataque à Jordânia, em 1967. 

            Após a investida israelense, o Egito colocou suas Forças Armadas prontas para o combate. Em maio daquele mesmo ano, a Jordânia e a Síria estabeleceram um Acordo de Defesa Mútua com o governo egípcio. Em resposta, Israel promoveu um ataque surpresa às forças egípcias. A tática surpreendeu os egípcios, que foram rendidos em menos de uma semana. Nesse mesmo conflito, a superioridade militar israelense subjugou as tropas jordanianas e sírias. No fim da guerra, Israel conseguiu ampliar seus territórios ao conquistar a Península do Sinai (repatriada ao Egito, em 1982), a Faixa de Gaza, a Cisjordânia e as Colinas de Golã.



Guerra de Yom Kippur (1973)


             Quando a Guerra de Seis dias, que aconteceu com os países do Oriente Médio, chegou ao fim, o governo de Israel teve uma nova preocupação pela frente: proteger as terras que haviam conquistado durante o conflito, e principalmente, manter o controle conquistado sob o canal de Suez.  Para manter esse controle eles construíram a Linha Bar-Lev, que era uma linha de fortificações ligadas por estradas. Porém, enquanto Israel se sentia vitorioso pelas conquistas da guerra, as nações árabes, que haviam sido derrotadas nesse conflito, possuíam um sentimento de inferioridade e desrespeito, e assim começaram a organizar uma resposta contra o governo israelense. O presidente Nasser, do Egito, havia acabado de falecer, no ano de 1970, e coube a seu sucessor Anuar Sadat, conhecido por exercer uma política mais pragmática, tentar recuperar aqueles territórios perdidos na guerra anteriormente.

O DIA DO PERDÃO – YOM KIPPUR


            O Yom Kippur é um grande feriado judaico que também é conhecido como “dia do perdão”. No dia 6 de outubro de 1973 a maioria da população estava cuidando dos preparativos da festividade, e por uma infeliz coincidência, ou por uma elaborada estratégia, o Egito e a Síria iniciaram um ataque militar surpresa, atingindo os postos israelenses responsáveis por proteger a região de Suez. Foram centenas de granadas lançadas sobre os postos em questão de minutos. Um dia que deveria ser de comemoração viera a se tornar de guerra, o “dia do perdão” de Israel se tornou o “dia da vingança” para os árabes.
           Os Árabes iniciaram a guerra com uma grande vantagem, afinal, haviam pegado os israelenses de forma inesperada. Utilizando de potentes mangueiras e pontes de assalto, eles conseguiram atravessar o Canal de Suez de maneira mais fácil, o que permitiu a invasão do canal com um número insignificante de baixas entre seus oficiais. Simultaneamente com essa ofensiva, os sírios se organizavam para invadir o território judeu por meio das Colinas de Golã, eles queriam atacar de todas as formas, por todos os lados, de maneira rápida para que o adversário não tivesse tempo de ter uma reação.

OS ÁRABES SÃO DERROTADOS NOVAMENTE NESTA GUERRA


            Demonstrando ser superior do ponto de vista de guerrilha, Israel tomou rapidamente uma atitude contra as ações dos países em questão e abafou os dois lados da invasão orquestrada pelos sírios e egípcios. Mesmo pego de surpresa, e estando sozinho contra os dois países, isso não foi suficiente para que Israel saísse derrotada, e a ofensiva fez com que outra vez os árabes saíssem derrotados de mais uma guerra. Com esse acontecimento, a Guerra do Yom Kippur serviu apenas para aumentar ainda mais o ódio existente entre os países árabes e o povo judaico no Oriente Médio.
           Entre as consequências causadas pela guerra está a deflagração da Crise do Petróleo, que se instalou logo depois que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo, OPEP, se recusou a vender petróleo para qualquer país que apoiasse o governo israelense. Enquanto eles achavam que isso levaria os países a se tornaram dependentes deles, seguindo seus desejos, submissos, isso contribuiu para que essas novas nações buscassem por novas fontes de energia, para que a dependência do petróleo fosse reduzida.

Principais Líderes


Israel : Ariel Sharon


          Nascido em Kfar Mahal, aldeia ao norte de Tel Aviv, no dia 28 de fevereiro de 1928, época em que o território estava sob jurisdição britânica, Sharon liderou operações militares contra tropas do Egito na Faixa de Gaza, em 1950.

           Em 67, já general, durante a Guerra dos Seis Dias, comandou uma divisão que conquistou Jerusalém Oriental, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, e, em 73, liderou a captura do Terceiro Exército do Egito, colocando um ponto final na Guerra do Yom Kippur.

LINHA-DURA


       Sua carreira política começou em 77, quando foi eleito para uma das cadeiras do Knesset, o parlamento israelense. Neste mesmo ano, foi nomeado ministro da Agricultura. Com fama de linha-dura, Sharon foi muito contestado em 82 (quando ocupava o cargo de ministro da Defesa de Israel), ao planejar uma invasão ao Líbano.
          Sem comunicar os seus planos para o então primeiro-ministro Manachem Begin, Sharon invadiu o Líbano alegando que precisava expulsar do país um núcleo influente da OLP (Organização para a Libertação da Palestina), comandada por Yasser Arafat, morto em 2004. A falta de planejamento na operação pode ser explicada pelos números: Beirute, a capital do Líbano, ficou parcialmente destruída e cerca de 2.000 palestinos (entre os quais crianças, idosos e mulheres) foram mortos.
           Pressionado internamente e apontado pela Justiça de Israel como responsável pelo massacre, Ariel Sharon foi demitido do cargo de ministro da Defesa, mas não deixou a política. Adorado pela direita, principalmente pelo feroz combate à OLP, no começo da década de 90 Sharon voltou a integrar o governo israelense, sendo nomeado ministro da Habitação.
        Em 96, uma promoção. O então primeiro-ministro Binyamin Netanyahu assinou um decreto nomeando-o ministro das Relações Exteriores. A derrota de Netanyahu nas eleições realizadas em 99 não afastou Ariel Sharon da vida pública. O político assumiu o comando do seu partido, o Likud.

SANGUE E GUERRA


             Em 1953, na liderança de uma unidade (101) do Exército, criada especificamente para combater os árabes, Sharon comandou uma operação contra a aldeia de Kibya, na Cisjordânia, explodindo 45 casas e matando 69 pessoas. As ações dessa unidade provocaram a morte de tantos civis palestinos que o governo de Israel teve de emitir um comunicado proibindo matar mulheres e crianças.
         Três anos depois, foi acusado de insubordinação e desonestidade por seus superiores, durante a campanha do Canal de Suez. O historiador militar israelense Martin Van Cheveld, da Universidade Hebraica de Jerusalém, escreveu que os soldados comandados por Ariel Sharon "avançavam da forma mais incompetente possível, resultando em uma batalha totalmente desnecessária, que se tornou a mais sangrenta da guerra".
          Acostumado a conviver com a violência, Sharon é oriundo de uma família de sionistas russos que emigraram para a Palestina no começo do século 20. O primeiro-ministro também participou de um momento histórico pela paz entre Israel e Egito, assinado em 1979, que ficou conhecido como o tratado de Camp David, uma referência à residência de verão dos presidentes dos Estados Unidos. Apesar de ter se posicionado contra o acordo, Sharon comandou a retirada dos colonos judeus do Sinai, ocupado por Israel desde a Guerra do Yom Kippur.
           Em fevereiro de 2001, Sharon chegou ao ponto mais alto de sua carreira: primeiro-ministro de Israel. Quando tomou posse, anunciou que sua principal missão seria a segurança do povo israelense.



Palestina: Iasser Arafat


            Mohammad Abdel Rauf Arafat al Qudwa al Husseini, 75, nasceu em agosto de 1929. O local de seu nascimento permanece um mistério. Ele afirmava que nascera em Jerusalém, mas há registros de que Arafat teria, na verdade, nascido no Egito, onde estudou engenharia. A data de seu aniversário também é incerta. Arafat combateu nas milícias palestinas os sionistas (movimento internacional judeu que resultou na formação do Estado de Israel) em 1948.

             Exilado no Kuait, em 1959 foi co-fundador do Fatah (Movimento para a Libertação da Palestina), movimento nacionalista que se tornaria, nos anos 1960, o núcleo principal da OLP (Organização para a Libertação da Palestina).

            Ao fim da guerra árabe-israelense de 1967, Arafat reapareceu após dois anos na clandestinidade usando o nome de Abu Ammar, pelo qual é chamado até hoje pelos palestinos. Instalou-se na Jordânia, país com grande população palestina, comandando milícias que realizavam ataques contra Israel e atentados contra alvos israelenses ao redor do mundo. As ações deram grande destaque à causa palestina.

            Em 1970, entrou em choque com o rei da Jordânia, Hussein, gerando os sangrentos combates do "setembro negro". Ele e a OLP acabaram expulsos do país. Estabeleceram-se no Líbano, usado como plataforma para ataques contra o norte israelense. Israel ocupou o país em 1982, e Arafat e a OLP novamente foram expulsos, para a Tunísia.

           Em 1973 foi reconhecido pelos países árabes como seu único representante legítimo. Apesar dos golpes importantes que sofreu e de ter sido obrigado a enfrentar graves conflitos surgidos nas suas próprias fileiras devido à moderação da sua linha política, Arafat conseguiu manter a liderança graças à habilidade para estabelecer alianças, fazendo concessões em nome dos objetivos nacionais

            No ano de 1989, em resposta ao reconhecimento do direito à existência do Estado de Israel, Arafat foi escolhido como presidente do futuro Estado da Palestina. Algumas das suas decisões, como o apoio a Saddam Hussein na Guerra do Golfo (1990-1991) ou a sua posição favorável aos golpistas contra Mikhail Gorbachev, colocaram-no temporariamente em dificuldades no plano internacional.

       No entanto Arafat demonstrou ser um autêntico mestre em sobrevivência política e, em 1993, conseguiu seu maior êxito com a assinatura do tratado de paz com Israel, que previa a concessão de uma autonomia limitada aos territórios de Gaza e Jericó, a retirada do exército israelita desses locais em 1994 e o seu próprio regresso como chefe da Autoridade Nacional Palestina, depois de 27 anos de exílio.

           Pelo acordo firmado com os israelenses, em 1994, Arafat, em conjunto com Itzhak Rabin e Shimon Peres, recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Depois do assassinato de Rabin (1995) e do subseqüente conservadorismo na política de Israel, os esforços para se encontrar um equilíbrio duradouro entre palestinos e israelenses sofreram um sério retrocesso.

           Arafat tem estado, desde então, entre dois fogos: por um lado, a lentidão, e mesmo a interrupção, da retirada israelense dos territórios ocupados prevista nos acordos de paz e, por outro, o risco da perda de controle sobre as facções palestinas mais radicais e violentas.

          Em meados de 2000, fracassou em nova tentativa de assinatura de um acordo final de paz com Israel. Seguiu-se a Intifada (rebelião popular palestina contra as forças de ocupação de Israel na faixa de Gaza e na Cisjordânia). Desgastado com o desastroso saldo da violência que se sucedeu após a intifada, Arafat voltou a ter popularidade nos últimos anos após Israel aumentar a pressão sobre ele.

         Em 29 de outubro, o líder palestino foi internado no hospital militar Percy, em Clamart, sudoeste de Paris, com graves problemas de saúde. Ele entrou em coma e diversos meios de comunicação noticiaram sua morte cerebral antes do dia 11 de novembro de 2004, quando seu falecimento foi oficialmente anunciado.

       Na presidência da OLP (Organização para a Libertação da Palestina), Arafat foi substituído por Mahmoud Abbas, também conhecido como Abu Mazen.


       Um ano de Primavera Árabe, a primavera inacabada


ESPECIAL: Onda de protestos se espalhou pelo Oriente Médio e norte da África, derrubou quatro ditadores em um ano e matou milhares.


      Em dezembro de 2010 um jovem tunisiano, desempregado, ateou fogo no próprio corpo como manifestação contra as condições de vida no país. Ele não sabia, mas o ato desesperado, que terminou com a própria morte, seria o pontapé inicial do que viria a ser chamado mais tarde de Primavera Árabe. Protestos se espalharam pela Tunísia, levando o presidente Zine el-Abdine Ben Ali a fugir para a Arábia Saudita apenas dez dias depois. Bem ali estava no poder desde novembro de 1987.
Inspirados no "sucesso" dos protestos na Tunísia, os egípcios foram às ruas. A saída do presidente Hosni Mubarak, que estava no poder havia 30 anos, demoraria um pouco mais. Enfraquecido, ele renunciou dezoito dias depois do início das manifestações populares, concentradas na praça Tahrir (ou praça da Libertação, em árabe), no Cairo, a capital do Egito. Mais tarde, Mubarak seria internado e, mesmo em uma cama hospitalar, seria levado a julgamento.
A Tunísia e o Egito foram às urnas já no primeiro ano da Primavera Árabe. Nos dois países, partidos islâmicos saíram na frente. A Tunísia elegeu, em eleições muito disputadas, o Ennahda. No Egito, a Irmandade Muçulmana despontou como favorito nas apurações iniciais do pleito parlamentar.
A Líbia demorou bem mais até derrubar o coronel Muamar Kadafi, o ditador que estava havia mais tempo no poder na região: 42 anos, desde 1969. O país se envolveu em uma violenta guerra civil, com rebeldes avançando lentamente sobre as cidades ainda dominadas pelo regime de Kadafi. Trípoli, a capital, caiu em agosto. Dois meses depois, o caricato ditador seria capturado e morto em um buraco de esgoto em Sirte, sua cidade natal.
          O último ditador a cair foi Ali Abdullah Saleh, presidente do Iêmem. Meses depois de ficar gravemente ferido em um atentado contra a mesquita do palácio presidencial emSanaa, Saleh assinou um acordo para deixar o poder. O vice-presidente, Abd Rabbuh Mansur al-Radi, anunciou então um governo de reconciliação nacional. A saída negociada de Saleh foi também fruto de pressão popular."


Veja infográfico sobre o conflito no Oriente Médio

da Folha de S.Paulo

            A ofensiva israelense na faixa de Gaza chegou ao 20ª dia com ao menos 1.095 palestinos mortos, e outros 5.000 estão feridos, segundo o Ministério de Saúde de Gaza, controlado pelo grupo radical islâmico Hamas. Um grupo de direitos humanos palestino afirmou que ao menos 698 dos mortos são civis.
           O conflito entre israelenses e palestinos teve início no século 19 e envolve a disputa dos dois povos pelo direito à soberania e à posse da terra ocupada por Israel. O impasse começou quando judeus sionistas expressaram o desejo de criar um Estado moderno em sua terra ancestral e começaram a criar assentamentos na região, na época controlada pelo Império Otomano.
           Desde então, houve muita violência econtrovérsia em torno da questão, assim como vários processos de negociações de paz durante o século 20 e que ainda estão em andamento.